domingo, 27 de setembro de 2009

Sr. Ladrão


No último sábado levei meus filhos, Pedro e Artur, ao cinema, pois estava passando o novo filme da Disney. Escolhi o shopping que, apesar de cobrar caro o estacionamento, é mais seguro que os cinemas do centro.

Para passar o tempo, antes da sessão, passeamos pelo local, inclusive, comprei um vídeo game para casa, apesar de meus filhos morarem com a mãe.

O filme não era lá essas coisas, mas para os pequenos era a 8ª maravilha do mundo.Duas horas depois de devolvê-los à mãe dei uma esticada num barzinho, afinal era feriado no dia seguinte.

Lá pelas tantas, com o latão cheio, cheguei em casa e deparei-me com uma paisagem muito estranha. No lugar dos meus móveis, digo tv de plasma, home theather e cama redonda, típicos de um recém separado, estava um enorme vazio. Ué! Será que eu casei de novo e a maldita já pediu o divórcio?

Enquanto procurava respostas para o que se sucedia encontrei um bilhete, muito respeitoso, diga-se por sinal, no qual eram mencionados todos os ítens roubados com a seguinte reclamação:

" Senhor morador, da próxima vez espero encontrar móveis com melhor qualidade uma vez que o home theather estava quebrado, o colchão rasgado e a tv trincada. Atenciosamente, Senhor Ladrão."

Meu Deus! Além de ter todos os meus bens surrupiados o ladrão ainda possui melhores educação e gramática que as minhas. Aonde esse mundo vai parar?

Num arroubo de fúria resolvi responder da forma mais "classuda" possível:

"Senhor ladrão, desde a sua última visita comprei novos objetos, inclusive, uma Garrucha que estará apontada para vossa face. Com estima, Senhor Morador. P.s.: Esqueci, vai pra puta que te pariu!"

Coloquei o bilhete na porta de casa e, em menos de uma semana, já tinha sido apanhado. Espero que o recado tenha sido dado, mas, pelo sim, pelo não, me mudei para um apartamento em outro edifício. Estou pensando até em mudar de cidade. Eu Hein!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Qual é maior escândalo da F-1?

Como todo brasileiro nascido nos anos 80, sou fã de fórmula 1, desde os duelos de Piquet e Senna (confesso minha torcida pelo primeiro) reservo minha manhãs de domingo para o esporte.

Com o passar dos anos minha admiração ficou abalada com alguns escândalos sem solução que elencarei agora:


1º Os títulos que Schumacher, o maior de todos, decidiu com trombadas e lhe renderam o apelido de Dick Vigarista.


2º A entregada de Rubinho na Áustria em 2002, com a célebre narração de Cléber Machado: "Hoje não, hoje não, hoje sim" fazendo alusão ao ano anterior que o brasileiro também, nos últimos metros entregou a posição para o alemão. Em tempo, no gp dos EUA do mesmo ano Schumacher retibuiu a gentileza.


3º Os duelos Senna-Prost decididos por batidas no Japão, tanto em 89 quanto em 90. Na época o presidente da FIA era o nazo-francês Ballestre e, por conta própria, deu o primeiro campeonato ao seu compatriota.


4º A morte de Senna em 94, em nome de uma categoria mais acessível comprometeram a segurança dos carros de forma trágica. O pior de tudo foi a impunidade.


5º O caso de espionagem envolvendo McLaren e Ferrari que culminou com a aposentadoria de Ron Dennis, chefão do time inglês, e escancarou a face nefasta da competição.


6º A marmelada aprontada pela Renault e por Nelsinho Piquet em Cingapura no ano passado. Se o Schumacher é o Dick Vigarista esses aí o que são?

Termino passando a bola pra vocês, conhecedores ou não, opinarem a respeito, ressaltando que o que me deixa mais p da vida é o fato que as punições foram só para inglês ver.

Blog do Márcio - dando um giro de 360° na F-1

domingo, 13 de setembro de 2009

Um Dia de Fúria



Os telejornais informam que o caos está a solta, notícias radiofônicas dão conta que a impunidade prevalecerá em nosso planeta, para qualquer pessoa isso já modificaria o estado de espírito.


Quando penso que o mundo que nos cerca está suscetível às mazelas da contemporaneidade me pergunto, o que me provocaria um dia de fúria? Quais fatores me fazem perder a paciência?


Convivendo com os meus; percebo que para cada um deles o calo aperta num local diferente e isso pode demonstrar situações curiosas.


Na minha casa, por exemplo, jogos do Santos costumam ser situações de alto risco para cadeiras, jarras e paredes. É comum aparecerem aquelas palavras que costumamos ver estrelinhas e caveiras, substituindo letras.


No serviço os colegas constantemente se irritam com a falta de atenção dos alunos durante aulas e avaliações, confesso que também me altero com esse comportamento. É compreensível uma dose de nervosismo durante testes, entretanto, confundir o sistema Solar com o solo ou na prova de biologia responder que a principal função do esqueleto é invadir o castelo de Greiscow, é demais!


Um dos maiores motivos de irritação em meu condomínio é o abusivo número de rateios para reformas, oras, se todo dia temos um problema novo não é melhor demolir o prédio e fazer um novo? Bradam os moradores aos quatro cantos.


Para não apanhar de algum indivíduo, escolhi uma turma de futebol com jogadores piores do que eu, essa é uma questão de auto preservação, mas, quem fica com o olhar colérico agora sou eu.


Minha cachorrinha fica totalmente estressada quando escuta a seguinte indagação: “Salsicha, vamos tomar banho?” Isso faz com que ela fique altamente agressiva com o autor da proposta.


E para vocês, o que causa a cólera?


Blog do Márcio – Escapando a quarta de ira!

domingo, 6 de setembro de 2009

A TV cumpre sua função de educar?


A grande imprensa deu grande destaque à disputa travada entre Globo e Record nas últimas semanas. No Orkut várias comunidades também enfocaram o tema, sempre com máxima parcialidade de cada manifestante. Numa delas, que cuida de acompanhar a audiência de cada programa e de cada emissora quase se retornou aos tempos das cruzadas!

Até porque esse debate veio à baila em meio à grande batalha travada entre Record e SBT por audiência com o imenso troca-troca de funcionários.

Tivemos uma salada, porém, eu não li, em nenhuma das manifestações dos participes uma palavrinha sequer, que demonstrasse preocupação com a qualidade da programação desse veículo de comunicação que adentra aos lares de milhares de brasileiros sem lhes ter o menor respeito, eis que acintosamente TODOS deixaram há muito tempo de cumprir a parcela essencial da concessão que receberam do Governo Federal, qual seja, educar!

Ao contrário, nos dias de hoje, com essa disputa acirrada pela audiência, pois esta representa faturamento, a qualidade da programação vem despencando ladeira abaixo.

Emissoras cuidaram até de tirar do esquecimento gente que nunca poderia ter ocupado um espaço destinado à educação do povo e agora tem DOIS, pasmem, pois é verdade, o sujeito tem dois programas na TV e o pior, tem gente lá na tal comunidade que cuida da audiência que acha o ilustre cidadão ótimo.

Tem emissora de VHF que aos domingos exibe infomerciais o dia inteiro! Dizem que o MP vem tentando coibir isso, mas até agora....

A única arma que temos contra esses abusos é o boicote amplo geral e irrestrito aos patrocinadores. Ainda que seja ressabido que nem isso barre algumas emissoras, (mas essa é uma questão de fé) outras seriam severamente atingidas, basta que tenhamos coragem, afinal nenhuma delas paga nossas contas!

PS.: Assim que terminei o texto ainda tive que ouvir do homem do Baú a seguinte pérola: “este programa não é educativo e sim de entretenimento”. Eeeeeeeeee quem quer dinheirooooooooo!!!

domingo, 30 de agosto de 2009

O meu primeiro show do AC/DC

Dia 25 de agosto: Lendo notícias na "net" vejo que minha banda favorita de Rock´n Roll fará o seu último show em solo tupiniquim no próximo dia 6 de dezembro, na cidade de São Paulo. Procuro me informar com os meus amigos se a informação é real ou é mais uma lenda urbana.

Dia 28 de agosto: Vejo um disco do U2 quebrado na lixeira do meu andar. Aquilo me intriga profundamente. Por que todo goiano que gosta de rock gosta de U2? Outra dúvida que tenho é se alguém jogaria fora, mesmo que quebrado, um disco do AC/DC? Pelo sim, pelo não, aquela visão me anima ainda mais para o show.

Dia 12 de setembro: As notícias se confirmam, o show será dia 6/12 em São Paulo, no estádio do Morumbí, com o preço dos ingressos variando entre R$ 150,00 e R$ 400,00. Fudeu! Não vou ter dinheiro para a viagem e o show. Como é sábado, eu recebi, saio com meus amigos para discutir acerca da miserabilidade humana. Como é que eu vou?

Dia 21 de setembro: Fazendo pesquisas sobre preços, descubro que alugar uma van seria a forma mais viável, mas como é que eu vou convencer as pessoas a encararem essa empreitada? (Se fosse um show do Zezé di Camargo era só ir até esquina) começo procurando meu irmão e nossos amigos mais próximos que, de imediato, encamparam a ideia, agora só faltam 6.

Dia 7 de outubro: Finalmente o tal do Orkut serviu para alguma coisa, através dessa ferramenta virtual consegui reencontrar alguns ex - colegas de faculdade que toparam, por que não? Cair pra dentro. Chegando em casa comento a situação com o fisioterapeuta da minha mãe e descubro que ele também é fã da banda e estava necessitando de um modo para ir ao show e também entrou nessa. Como diria o Zagallo, só faltam 3!

Dia 20 de outubro: No meu trabalho encontro dois professores de matemática fãs da banda e que querem ir ao show (por que professores de matemática são fãs de AC/DC?). Para finalizar minha peregrinação reencontro um amigo dos meus tempos de política que para a felicidade geral da nação concorda com a proposta e a equipe está completa.

Dia 6 de novembro: Falta um mês! Consigo, com os meus, um modo mais barato de ir ao show. Alugamos uma van, com capacidade para 10 passageiros, ou seja, faremos a famosa e popular "vaquinha" para conseguir ir ao show. Agora eu vou!

Dia 19 de novembro: Agora vai! Agora é certeza! Mentira! A van alugada passará por reparos nos próximos 25 dias e, portanto, descartamos essa opção. Como vamos levar a renca para ir ao show em São Paulo? No fim do dia encontramos uma outra empresa de vans que tinha dívidas com a primeira e assumiu nosso transporte. Ufa!

Dia 5 de dezembro: Chega a hora da viagem. Conforme mencionei, anteriormente, 10 pessoas sairão de Goiânia por uma Auto estrada para o inferno com o intuito de assistir o show. As pessoas são: Eu; meu irmão Marco; Daniel, meu grande amigo; Rogério, amigo do meu irmão; Sérgio, fisioterapeuta da minha mãe; Diego Maradona, o professor; Luigi e Marlon, amigos da faculdade; Eduardo, amigo da política; e Haroldo, o outro professor. O odor de esmegma na van era mais intorpecente do que qualquer droga ilícita, já que é raro uma mulher gostar de AC/DC. Mas, enfim, chegamos a cidade para ir direto ao show.

Dia 6 de dezembro: Ao entrar no estádio nos situamos a cerca de 50 metros do palco, tá bom né?! tem gente que nunca ficará tão perto assim. A ansiedade pelo início me corroe por dentro. Exatamente às 21 horas, debaixo de uma típica garoa paulistana, começo a escutar os primeiros acordes de Hard as a Rock, sucesso de 1995, meu coração chega a 200 batimentos por minuto, é o momento mais extasiante dos meus, quase, 29 anos de vida. É melhor que catarro com açúcar!

Dia 30 de agosto: Como vocês viram, boa parte desse texto é um exercício de futurologia, mas, não é irreal ou impossível de acontecer. Enquanto não chega a hora do show se deliciem com o quinteto australiano.


Blog do Márcio - Let There Be Rock

domingo, 23 de agosto de 2009

Mundo Cão

A miserabilidade do ser humano desafia todos os limites do razoável. Apesar de sonhar com um mundo melhor, mais justo, em que as condições de existência sejam mais prósperas, creio que entreguei os pontos.

Comecei a capitular ao assistir esse singelo vídeo, de uma “pegadinha”:



Excesso de sensibilidade, diriam os brutos. Mas a brutalidade não é inerente à natureza humana. É um traço que adquirimos em razão do modus vivendi que nos infligimos. Aliás, associo claramente a evolução da espécie ao aprimoramento ético-moral dos seus indivíduos. Vejo os homens em relação aos animais como Deus em relação ao homem, por sua posição hierarquicamente superior. Ao vivenciar uma situação de humilhação constante, de tortura permanente, blasfemamos contra a possibilidade de um ser superior. “Se Ele existe, por que não olha por nós?” Algo análogo devem sentir os animais em relação à raça humana: quanto o mundo seria melhor sem a presença destes símios despelados!

No direito, aprendemos a distinguir as figuras do furto de uso e do furto famélico, que configuram excludentes de ilicitude (seja por atipicidade da conduta, estado de necessidade ou inexigibilidade de conduta adversa, o que não vem ao caso). Roubar (ou, no limite, matar) para comer, para manter-se vivo, não é crime. Ou ainda que seja crime, não é passível de punição, posto que é justificável. Assim, na natureza, ao nos depararmos com as feras que abatem suas presas, observamos que o objetivo imediato é sempre a alimentação, e o remoto é a conservação da vida.

Rousseau, ao estudar a natureza humana, distingue dois caracteres inatos (que por sinal, estão presentes em maior ou menor escala, nos demais seres viventes): o amor de si (amour-de-soi) e a piedade (pitiè). Muita digressão existe em torno da precisão destes dois instintos/conceitos, mas aqui nos interessa compreender basicamente que amor de si (que é o oposto do amor próprio, fruto da sociedade) é o sentimento da luta pela vida natural, superando as adversidades e intempéries próprias da existência na terra. A saciedade da fome, da sede, ar para respirar, enfim, essa busca encerra o que Rousseau chama de amor de si. Já a piedade, cuja tradução não é exata, se revela na aversão à crueldade: é comum às espécies a repulsão ao sofrimento alheio. Nenhuma mãe, ao menos entre os grandes mamíferos, deixa de se condoer ao ver sua cria inerte, prostrada, vitimada por qualquer circunstância. Os exemplos se proliferam.

O amor de si é o que garante a preservação do indivíduo; a piedade, da espécie. Apesar disso, o que choca Rousseau é o fundamento sobre o qual se assenta a sociedade: a morte, aquela que aparta o ser humano da natureza, e o transforma numa criatura artificial: “Os animais que você come não são aqueles que devoram outros, você não come as bestas carnívoras, você as toma como padrão. Você só sente fome pelas criaturas doces e gentis que não ferem ninguém, que o seguem, o servem, e que são devoradas por você como recompensa de seus serviços”.

Voltando ao meu percurso, aquele vídeo levou a outros, notadamente o de massacre dos golfinhos no Japão. Um horror já conhecido e divulgado nos grandes meios de comunicação. Navios pesqueiros, com suas enormes redes de arrasto trazem consigo toneladas de peixes. Sem se importar com as implicações comerciais, os golfinhos imaginam-se convivas de um banquete sem precedentes. É aí que o regalo se transforma em suplício, cujos pormenores, de revirar o estômago mais forte, não serão tratados aqui. O único detalhe que não pode passar em branco é que a matança não tem fins alimentícios: as carcaças são devolvidas ao mar de sangue. Há quem traga o apelo cultural à baila, mas o consumo dessa iguaria é reduzidíssimo.

Em um sítio português, caloroso debate gira em torno desse tema. Salta aos olhos que a questão se desvia completamente em direção ao nacionalismo. Os japoneses (e, de roldão, os orientais) são os responsáveis por essa ferida aberta na humanidade. É uma barbaridade da cultura atrasada, do despotismo oriental, na ausência da cristandade, ou sei lá eu o que. E estes se julgam superiores aos que focalizam o tema apenas sob a perspectiva monetária (análises que demonstram que os maus tratos são contraproducentes do ponto de vista financeiro).

Na verdade, não há muitas diferenças quando a fábrica de desculpas chafurda nas mesmas contradições. Fiquei pasmo com o seguinte comentário: “Esse vídeo faz-me chorar de dor e raiva... [faço] tudo o que posso [para] evitar [produtos] vindos do Japão e lojas de chineses nem entro e peço aos meus amigos para fazerem o mesmo... Aliás os meus cremes de rosto eram da Kanebo, uma marca japonesa... esta semana mudei para uma só de produtos naturais da Suíça. É pouco mas é um começo...”

É o começo... da miséria. Da miséria explícita. De outra parte, um japonês ofendido com as agressões que quase tomam o vulto de um conflito internacional, resolveu publicar o que há de mais hediondo no assunto: massacre de golfinhos e baleias nas Ilhas Faröe, cães e gatos na Coréia e na China, vacas nos EUA (criadas em escala industrial, conforme uma linha de produção), porcos nos EUA (mesma dramática situação), cangurus na Austrália e focas no Canadá (com a agravante que devem ser apenas as focas filhotes, pois o pelo é branco, belo, ideal para casacos majestosos que ornam a alta sociedade).

A vida poderia ser bem menos ordinária. Por isso não faço nenhuma questão de divulgar o link. Aliás, em nada engrandeceria a força dessa causa a estúpida exibição de imagens. Nesses casos, em minha opinião, é sempre torpe a cumplicidade do cinegrafista. Isso sem considerar a utilização de animais para experimentos científicos (a tortura perpetrada sob o pomposo nome de vivisecção), para os bizarros espetáculos como touradas, rinhas de cães e galos, os lamentáveis abusos ocorridos em circo e mais uma mácula no mais alto grau de civilização ocidental: o foie gras, fígado de ganso ou pato superalimentados com uma mistura de milho, gordura e sal socados goela abaixo, iguaria très chic nas mais requintadas mesas.

Se as paredes dos matadouros fossem de vidro, visíveis ao público, o número de vegetarianos seria exponencialmente maior. Há as ressalvas da comida Kosher, tradição judaica, que faz o certo por linhas tortas. Mesmo esquema de leis dietéticas existe no Islamismo, chamado Halal, e no movimento Rastafári, denominado I-tal. São rigorosos procedimentos de variadas origens (filosóficos, ritualísticos ou mesmo práticos e higiênicos) quanto ao método (obedecem a preceitos bíblicos ou corânicos), preparo (a execução não deve causar sofrimento e o sangue deve ser totalmente vertido) e escolha (porcos e camarões são proibidos por serem necrófagos) dos alimentos. Mas que numa sociedade tão desnaturada como a nossa, ao invés de sanar uma tragédia acrescem outro problema: esses cuidados encarecem os alimentos!

Abriria mão de toda essa cantilena se fizéssemos o seguinte experimento: num cercado para observação, colocássemos uma criança, uma maçã e um coelho. Se a criança comesse o coelho e brincasse com a maçã todos os meus argumentos cairiam por terra. Mas não é esse o caso, pois isso é contra a natureza. Assim como é contra a natureza a reificação dos bichos, a criação para fins de abate, algo como em Matrix, uma espécie que através privação de sua vida fornece energia vital para outra.

Blog do Márcio.com.br: Quanto mais eu conheço os homens, mais eu gosto dos meus cachorros.



domingo, 16 de agosto de 2009

O que está acontecendo com Goiânia?

No campo da política, Goiânia sempre foi conhecida por ser o pontapé inicial do movimento de redemocratização brasileira conhecido por Diretas Já, no ano de 1984. Na última semana, presenciamos aqui diversas manifestações políticas que ameaçam o mórbido pacifismo local que data de priscas eras.

Primeiramente, recebemos a visita do atual presidente da república que, aproveitando uma celebração de entrega de casas populares, discursou de forma bem articulada, contrariando o senso comum que o execra por sua baixa escolaridade, e criticou seus opositores goianos que não souberam administrar nosso estado.

No dia seguinte, uma carreata, articulada pela igreja católica, parou o centro da cidade com os dizeres " Pela vida, contra o aborto!". Essa é uma situação complexa, pois a igreja católica e alguns segmentos da sociedade querem gerir os ventres femininos, pra mim, essa é uma decisão que cabe apenas à própria mulher.

Por fim, no outro dia, uma meia dúzia de seis ou sete (como dizia um conhecido) estudantes caminharam pelas ruas da cidade para requerer a renúncia do atual presidente do senado brasileiro. Essa manifestação, em pequena escala, lembra o movimento dos "caras-pintadas" de 1992, porém, não têm nenhum canal de televisão coordenando-o pelos bastidores.

Por coincidência, estava na rua durante os três acontecimentos e verifiquei a opinião das pessoas que, num consenso pitoresco, emitiam os seguintes comentários: " Político é tudo bandido, só vejo quem vou votar na fila da votação" ou "Esse povo precisa achar um lote pra capinar".
Essas opiniões demonstram a letargia do goianiense em perceber as transformações do mundo e que a relação entre servos e senhorios já está extinta.

O que vocês acham disso?